Diz uma velha piadinha (politicamente incorreta, é verdade, mas, segundo Jô Soares, “politicamente correto é pegar na merda pelo lado limpinho”) que “sonho é comer um churrasco preparado por gaúchos, numa praia do nordeste, com mulheres mineiras, organizado por paulistas e animado por cariocas, e pesadelo é comer um churrasco preparado por mineiros, numa praia gaúcha, com mulheres nordestinas, organizado por cariocas e animado por paulistas”.

Enfim, uma das coisas que gaúcho faz bem é churrasco, embora não tão bem quanto nossos “hermanos” portenhos, que são realmente imbatíveis (a carne também ajuda, naturalmente). Aliás, mesmo enquanto a Cretina Kirchner se esforçava para transformar Buenos Aires (que já foi considerada um pedaço da Europa encravado na América do Sul) num dublê de Caracas ou de Havana (que os defensores do bolivarianismo morram todos com a boca cheia de formigas), valia a pena dar uma escapada até a Argentina, ainda que fosse para passar dois ou três dias. Isso antes que dona Dilma destruísse a nossa economia, naturalmente — até então, com o que se gastava para jantar numa pizzaria aqui em Sampa, lá a gente enchia o bucho de carne da melhor qualidade — preparada “comme il faut” e regada a vinhos excelentes), e ainda sobrava troco para umas comprinhas no “freeshop”.

E já que falamos em carne argentina e vinho, vejamos como preparar um delicioso chorizo (bife retirado da parte frontal do contrafilé, que fica especialmente macio e saboroso se preparado na churrasqueira e servido mal-passado, cortado grosso) ao molho de... vinho. Os ingredientes a seguir são para duas pessoas:

— 2 bifes de chorizo de aproximadamente 400g cada;

— 1 1/2 litro de água;

— Sal a gosto;

— 1 folha de louro;

— 2 dentes de alho esmagados;

— 1 colher (café) de sal grosso;

— 2 ramos de alecrim;

— 3 colheres (sopa) de azeite de oliva extravirgem;

— 1 colher (sopa) de manteiga;

— 300g de batatas com casca, cortadas em 4 no sentido do comprimento.

Para o molho:

— 4 colheres (sopa) de manteiga;

— 1 cebola média picada;

— 4 dentes de alho picados;

— 3 ramos de salsinha;

— 2 folhas de louro;

— 1 ramo de tomilho;

— 1 fava de baunilha;

— 1/2 chávena de vinho tinto seco;

— 1 colher (sopa) de açúcar;

— 1 pitada de sal

— 1 copo de água;

— 1 colher (chá) de farinha de trigo.

Em uma panela, ferva a água e coloque as batatas, o sal, o louro e o alho e deixe cozinhar por 20 minutos. Amasse o sal grosso com o alecrim usando um pilão (ou um socador de caipirinha, também serve). Retire as batatas da panela, escorra-as e disponha-as em uma assadeira com o azeite e a mistura de sal grosso com alecrim. Leve ao forno pré-aquecido (200C) por 25 minutos ou até as batatas ficarem douradas e crocantes. Reserve.

Para preparar o molho, aqueça a metade da manteiga numa panela, acrescente a cebola, o alho, a salsa, o louro e o tomilho. Corte a fava de baunilha no sentido do comprimento, retire as sementes, coloque-as com a fava na panela, adicione o vinho, cozinhe por 2 minutos, junte o açúcar, o sal e a água, baixe o fogo e deixe cozinhar por mais 5 minutos. Em outra panela, aqueça o restante da manteiga, junte a farinha e mexa bem, até formar uma mistura levemente dourada. Junte essa mistura à panela com o molho de vinho, mexendo bem e, cozinhe por mais 1 minuto. Retire a salsa, o tomilho e o louro, apague o fogo e reserve.

Besunte os bifes com a manteiga e asse-os na grelha (de preferência numa churrasqueira) por 10 minutos de cada lado — ou até atingir o ponto desejado —, acomode-os em pratos individuais, regue com o molho, distribua as batatas assadas e sirva em seguida (sugestão: deguste-os ao som deste tango).