Além de ser deliciosa, a água de coco é um hidratante natural que tem poucas calorias e oferece diversos benefícios ao corpo humano. Eu, particularmente, tomo um litro por dia ― e só não consumo mais que isso devido ao preço, já que, por uma questão de comodidade, compro o produto em caixinha.

Caminhões que a gente encontra pelas avenidas e estradas vendem cocos a 1 ou 2 reais a unidade, mas nunca estão à mão quando precisamos deles. Nas feiras livres, o preço já não é tão bom, ainda que não tão “salgado” quanto nas barraquinhas a beira-mar, onde vendedor não só decepa a tampa e fornece o canudinho ― para a gente sorver o delicioso néctar sem conservantes, manipulações ou contato manual ―, como também corta a fruta ao meio, permitindo-nos degustar a não menos deliciosa polpa.

Há ainda a questão do espaço que os cocos ocupam, o que torna as caixinhas mais práticas, sem mencionar que elas podem ser armazenada fora da geladeira durante meses, enquanto a água de coco envasada na hora por hortifrútis e alguns supermercados fermentam após 2 ou 3 dias. A má notícia é que existem, sim, diferenças entre a água de coco natural e a vendida em caixinhas. A começar pela quantidade de sódio, que é bem maior nos produtos industrializado.

A associação de defesa do consumidor PROTESTE analisou embalagens de 1 litro de seis marcas de água de coco populares ― KeroCoco, SoCoco, Do Vale, Obrigado, Do Bem e DuCoco ―, focando na acidez, presença de açúcar, conservantes e micro-organismos, e constatou que todas elas atenderam aos padrões de higiene e pH previstos na legislação, além de apresentarem baixos teores de açúcar. No entanto, algumas informações presentes no rótulo podem levar o consumidor a uma interpretação errada dos produtos, como alegações 100% coco praiano, Sem conservadores e Sem adição de açúcar, já que substâncias como sacarose e metabissufito de sódio e potássio estão presentes na lista de ingredientes. Além disso, das 6 marcas testadas, 2 não informa a data de fabricação (embora não seja um dado obrigatório, ele permite que escolha os itens produzidos mais recentemente).  
Quanto à veracidade das informações, a marca Coco do Vale apresentou 60% a mais sódio e 31% mais potássio do que o valor impresso na embalagem; a DuCoco e a SoCoco continham 37% a mais de potássio ― aliás, a SoCoco foi a marca que teve a maior variação de sódio entre todas as analisadas: 64% a menos do que o indicado na caixinha. 

Resumo da ópera: Por se tratar de um hidratante natural com baixo teor de açúcar, a água de coco industrializada é uma opção mais saudável do que bebidas adoçadas, como refrigerantes e sucos de caixinha. Entretanto, é preciso ficar atento ao rótulo e optar por produtos sem adição de açúcares e conservantes. Para diabéticos e hipertensos, a PROTESTE alerta que, mesmo direto da fruta, a água de coco não deve ser consumida em excesso, pois contém naturalmente sódio e açúcares (em percentuais que variam de acordo com a maturação do fruto).

Enfim, o verão está chegando. Esqueça a coca e tome água de coco.

Dica: Transfira a água de coco da caixinha para uma garrafa pet e coloque-a no freezer por algumas horas. Retire quando o líquido começar a cristalizar (não deixe congelar totalmente, pois aí fica difícil de beber, e o sabor se altera após o descongelamento) e deguste sua água de coco como se fosse uma "raspadinha". Outra boa idéia e colocar encher com água de coco as forminhas de gelo para temperar sua vodka ou uísque de final de tarde.