Para comer um bom hambúrguer não é preciso sair de casa, amargar horas no trânsito congestionado, ser esfolado pelo valet e pagar caro por um bife de carne moída coberto por uma fatia de queijo, outra de bacon, uma folha de alface e uma rodela de cebola, entre duas fatias de pão redondo besuntado com um molho nem sempre “identificável”.

Observação: A ProTeste avaliou produtos de 10 lojas de fast-food do Rio e de Sampa para conferir se o peso informado no cardápio corresponde ao real e — SURPRESA! — encontrou variações de quase 50%! Na H3 Hambúrguer Gourmet, a diferença foi de 46,5%, no Applebee’s, de 40,5% e no Bob’s, de 37,2%. McDonald’s e Burger King não declaram o peso no cardápio, mas a comparação de três amostras de cada rede apontou discrepâncias significativas. No pior dos cenários, os R$ 15 correspondentes à diferença de peso (no lanche da H3 Hambúrguer Gourmet) dariam para comprar dois hambúrgueres no Habib’s, que não só foi o mais barato do teste (R$8,90), mas também o que apresentou menor variação entre as amostras analisadas (leia a íntegra da matéria em http://vai.la/hL6p).

Então a solução é recorrer aos hambúrgueres industrializados vendidos nos supermercados — como os da Aurora, Perdigão, Sadia, Swift, Texas e assemelhados? Em uma única palavra, a resposta é não; em três, é de jeito nenhum. Até porque a maioria desses produtos é insípida, porque é produzida a partir de uma mistura de carne bovina, suína e de aves (quase tão ruim quanto recheio de salsicha) e, de quebra, contém uma quantidade absurda de sódio. Já as versões “diferenciadas”, que se pretendem artesanais, custam os olhos da cara — pelo preço de uma embalagem com 2 unidades de 200g você compra 1 kg de patinho ou coxão mole e os demais ingredientes para fazer em casa uma porção bem mais generosa. E os hambúrgueres “de picanha”, salvo raras e honrosas exceções, não são feitos de picanha, e sim “flavorizados” — é possível obter o mesmo resultado adicionando à carne moída um ou dois tabletes de caldo de picanha (da Maggi, Arisco ou Knorr, por exemplo).

A solução, como você certamente já desconfia, é produzir artesanalmente os hambúrgueres, garantindo não só a higiene do alimento, mas também a escolha da carne mais adequada, dos temperos que mais lhe agradam e do tamanho, espessura e peso dos bifes de acordo com suas preferências pessoais. Interessado? Então siga as dicas desta postagem (e da próxima, já que vou ser obrigado a dividir a matéria em duas partes para que o texto não fique longo demais) para fazer não um simples hambúrguer caseiro, mas um hambúrguer de verdade, como os das melhores hamburguerias do mundo.

Comece escolhendo um açougue confiável, que trabalhe com carnes frescas e de boa procedência (resfriadas, melhor dizendo, já que carne fresca de verdade, só nos matadouros ou em açougues de bucólicas cidadezinhas do interior). Evite supermercados, mesmo que as peças ou pedaços sejam embalados a vácuo e o prazo de validade esteja longe de expirar (o tempo e o oxigênio são os maiores inimigos da carne).Tenha em mente que a matéria prima é a principal responsável pela textura e sabor dos bifes, e se não for de primeiríssima qualidade, o resultado será, no máximo, aceitável.

Uma dica dos connoisseurs é acertar o blend — isto é, a mistura de diferentes cortes — para garantir aos hambúrgueres um sabor todo especial. Claro que você pode usar apenas patinho, coxão mole ou outro corte de sua preferência, mas se quiser mesmo satisfazer paladares mais exigentes, misture ao menos dois tipos de carne, com teores diferentes de sangue, gordura, etc., já que isso é determinante para o sabor do hambúrguer, mas evite usar filé-mignon ou picanha, já que isso vai elevar o preço sem melhorar significativamente o paladar. Se você gosta de picanha a ponto de não abrir mão dela nem mesmo ao degustar um hambúrguer, recorra aos tabletinhos (conforme sugerido linhas acima) ou faça como as hamburguerias e inclua no seu blend uma parte de gordura de picanha (apenas o suficiente para dar sabor).

O resto fica para a próxima postagem, pessoal. Abraços e até lá.