Para completar a trinca de postagens iniciada na segunda-feira de Carnaval, resta falar do extraordinário “Filé à Oswaldo Aranha” (em homenagem ao advogado, político e diplomata brasileiro falecido em 1960, que foi ministro de Getúlio Vargas e Presidente da Primeira Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1947). Vamos à “aula de história” e, em seguida, à receita propriamente dita.

No início do século passado, quando o Rio de Janeiro era capital da Banânia, o Bar Cosmopolita ― inaugurado em 1926 no bairro da Lapa e conhecido como “Senadinho”, devido ao grande número de políticos que o frequentavam ― recebia visitas frequentes do então diplomata Oswaldo Aranha, que fazia questão de degustar seu filé recoberto por uma generosa camada de alho frito e acompanhado de arroz, batatas fritas e farofa.

Como sói acontecer em situações afins, o prato acabou batizado de Filé à Oswaldo Aranha ― e virou não só marca registrada da casa, mas também ícone da cozinha carioca.

Não é preciso ir ao Senadinho ― ele ainda existe e é frequentado por gente famosa, como Martinho da Vila e Flávia Alessandra ― ou mesmo ao Rio para saborear essa delícia, poie ela consta do cardápio da maioria dos bons restaurantes tupiniquins, ainda que, por uma questão de apresentação, as guarnições sejam servidas em separado (na receita original, o arroz, as fritas e a farofa se misturam ao suco da carne e temperos que se acumulam no fundo da panela depois de o bife ser frito “ao ponto”).

Mas não é difícil reproduzir essa delícia em casa. Confira os ingredientes e o passo-a-passo (as quantidades a seguir são para uma porção generosa, que dá para duas pessoas):

― Um bife alto de filé mignon (ou de contrafilé, que não é tão macio, mas tem sabor mais marcante) de aproximadamente 400 g;

― 1 cabeça grande de alho (ou doze dentes graúdos);

Azeite de oliva extra virgem;

― 2 colheres (sopa) de azeitonas pretas picadas;

― 1 chávena de farinha de mandioca;

― 2 batatas grandes;

Óleo para fritar;

― 1 chávena de arroz escolhido e lavado;

Farinha de mandioca (o quanto bastar para a farofa);

Sal, pimenta-do-reino e salsinha fresca picada a gosto.

Tempere a carne com sal e pimenta e reserve. Refogue o arroz em azeite e cozinhe-o da maneira convencional. Descasque as batatas, corte-as em rodelas finas e reserve. Pique os dentes de alho (ou corte-os em lascas de tamanho médio) e as azeitonas e reserve.

Quando o arroz estiver quase pronto, aqueça 2 colheres (sopa) de azeite numa frigideira e doure uns 8 dentes de alho cortados em lascas grandes. Escorra e reserve.

Enquanto você frita as batatas em óleo bem quente, use a frigideira em que dourou o alho (sem lavar, para aproveitar a gordura que sobrou) para tostar o bife, de ambos os lados, até o ponto desejado (mais informações sobre os “pontos” da carne nesta postagem).

Em outra frigideira, aqueça 3 colheres (sopa) de azeite, refogue o restante do alho picado (2 ou 3 dentes graúdos, pelo menos) e as azeitonas picadas, junte a farinha de mandioca, mexa bem e acerte o ponto do sal.

Quando as batatas estiverem fritas, retire-as com uma escumadeira, deixe escorrer o excesso de gordura e transfira-as para uma travessa previamente forrada com toalha de papel. A essa altura, o bife deve estar pronto. Cubra-o com o alho frito, salpique a salsinha picada e sirva quente, acompanhado do arroz, das fritas e da farofa.