Não existem verdades absolutas, seja na política, seja onde for. No âmbito da saúde, como na subida capacidade argumentativa do ministro Gilmar Mendes, o que ontem era uma laranja é hoje uma banana, e não há que estranhar o fato ― compreendê-lo em toda a sua amplitude, todavia, não é coisa para “leigos”, que também não compreenderam até agora como o TSE reconheceu a cacheira de provas de financiamento ilegal da chapa Dilma-Temer, mas, ao final, deixou tudo como dantes no Quartel de Abrantes. 

Cingindo estas consideraçõs ao âmbito da saúde ― combinado com o da culinária, que é o escopo da nossa comunidade ―, relembro o ovo, por exemplo, que passou de vilão a herói e teve seu consumo aprovado (e até estimulado) por médicos, nutricionistas e afins. E o café, que ora é um estimulante saudável, ora um veneno para a saúde. Ou o álcool, que transita do campo das drogas “lícitas” para o dos itens cujo consumo é saudável e deve ser estimulado (em pequenas doses, naturalmente), e não só do proverbial cálice diário de vinho, que os destilados também foram incluídos na “lista branca”.

Falando em lista branca, um item visto como positivamente, até como aliado de quem faz dieta ou simplesmente não aprecia leite in natura (que fornece o cálcio de que tanto precisamos) é o queijo minas frescal, não é mesmo? Como se sabe, quanto mais “amarelo” o queijo, mais gordura e, consequentemente, mais calorias ele contém. Então, pelo raciocínio reverso, o queijo branco seria o menos calórico e mais saudável, correto?

Nem tanto. A PROTESTE ― entidade civil sem fins lucrativos, apartidária, independente de governos e empresas, que atua na defesa e no fortalecimento dos direitos dos consumidores brasileiros desde junho de 2001 ― analisou as marcas KEIJOBOM (com e sem sal), FAZENDA BELA VISTA, SOL BRILHANTE, PURÍSSIMO (tradicional e sem redução de sal), TIROLEZ, BALKIS (sem sal), IPANEMA e QUATÁ, e concluiu que algumas não são tão saudáveis assim, e que tampouco se pode confiar nos rótulos, pois algumas informações não correspondem à realidade.

O queijo minas Puríssimo (reduzido de sal), por exemplo, tem 47% mais sódio do que o percentual declarado no rótulo, ao passo que o Quatá e o Keijobom seguem o caminho inverso, ou seja, têm bem menos sódio do que é informado na embalagem. Isso pode ser positivo, mas é bom lembrar que, de acordo com o CDC, quem adquire um produto tem o direito de ter informações claras e precisas sobre ele. 

A pesquisa concluiu que as demais marcas não apresentaram diferenças discrepantes em relação ao sódio, e que é preferível consumir queijos minas que se declaram “sem sal ou reduzido de sal”. Mesmo o Puríssimo (reduzido de sal), cuja discrepância entre os valores reais e os declarados no rótulo foram salientados linhas atrás, contem 69 mg de sódio por fatia de 30g, enquanto o Ipanema, que, entre os avaliados, possui o maior teor de sódio, tem 105 mg desse mineral na mesma porção.  

Quanto à gordura, com exceção do Keijobom, as demais marcas mostraram ter mais gordura total do que diz a embalagem. No rótulo, uma fatia de 30 g do Puríssimo tem 4,7 g de gordura total, mas os testes indicaram 7,4g ― uma diferença de 56%. 

E essa não é a única má notícia. Segundo a legislação do Ministério da Agricultura, o queijo minas é considerado um queijo semigordo. E, para ser classificado dessa forma, o percentual de gordura deve variar de 25% a 44,9% em 100g do produto. Na análise da Proteste, com exceção do Puríssimo (reduzido de sal), todas as demais marcas têm gordura acima do estipulado para os queijos semigordos ― ou seja, deveriam ser classificados como extragordos. Quanto ao teor de amido e a higiene do produto, todas as marcas avaliadas se saíram bem.

Resumo da ópera: o queijo minas deve ser consumido com moderação, seja devido ao sódio, seja devido à gordura. Se você não consegue passar se ele, evite ao menos comer mais de duas fatias de 30 g por dia. E se, como eu, você não suporta ricota, experimente o queijo cottage.

Amanha a gente continua. Até lá.