Domingo de Carnaval. Final de tarde. Estou na cozinha adiantando minha salada quando ouço alguém na TV falar em brigadeiro, bauru e filé à Oswaldo Aranha.

Fui ver do que se tratava e me deparei com imagens de dar água na boca. Mas não era um programa de culinária, daqueles onde a apresentadora (ou um/uma convidado/a) preparar o prato para o telespectador acompanhar. A despeito das imagens (deliciosas) e de um resumo da lista de ingredientes, a matéria focava no nome do troço, e aí eu me lembrei de ter publicado alguma coisa a respeito, anos atrás, pelo menos sobre o doce, o sanduíche e o filé retro citados (havia outros itens, naturalmente, mas eles não me chamaram a atenção).

Enfim, o brigadeiro foi batizado como tal em homenagem ao Brigadeiro Eduardo Gomes (1896 – 1981), candidato da UDN à presidência desta Banânia em 1946. Como ele (o doce) tinha presença garantida nas festas organizadas para promover a campanha do militar em São Paulo, as pessoas logo passaram a se referir às deliciosas bolinhas de leite condensado, manteiga e chocolate como “docinho do brigadeiro” ― e, mais adiante, apenas como “brigadeiro”). Gomes foi derrotado por Eurico Gaspar Dutra, mas o “brigadeiro” foi eleito por unanimidade e continua encabeçando o ranking dos docinhos mais populares em festas de aniversário de crianças de todas as idades.

Observação: No Rio Grande do Sul, o brigadeiro é mais conhecido como negrinho (nome que os meios de comunicação majoritariamente varguistas e abertamente hostis ao candidato da UDN achavam mais “politicamente aceitável” para fazer referência ao docinho em questão, já que o caudilho gaúcho Getúlio Dornelles Vargas (1882 – 1954) era forte opositor do Brigadeiro Eduardo Gomes.

Passando ao que interessa, para fazer o brigadeiro tradicional, você vai precisar de:

― 1 colher (sopa) de manteiga;

― 1 lata de leite condensado;

― 2 colheres (sopa) de chocolate em pó (pode ser achocolatado, mas com chocolate o resultado é melhor);

― Manteiga para untar e chocolate granulado para recobrir.

Numa panela, derreta a manteiga, junte o leite condensado e o chocolate em pó e vá mexendo com uma colher de pau até a massa “dar ponto”, ou seja, começar a “despregar” do fundo da panela (isso leva cerca de 10 minutos).

Apague o fago, transfira a massa para uma travessa untada com manteiga e deixe esfriar. Depois, se você não tiver comido o doce às colheradas, é só untar as mãos, fazer as bolinhas e passá-las no chocolate granulado.  

Observação: Chocolate granulado vendido em supermercados e casas de doces não é chocolate, mas sim um confeito de açúcar colorido artificialmente ou feito à base de chocolate hidrogenado. Evite usar essa porcaria e rale seu próprio chocolate. Faça o seu próprio chocolate granulado passando barras de chocolate amargo (ou ao leite, se preferir, mas aí você terá de colocá-las na geladeira por algumas horas antes de ralar) no ralo mais fino do ralador de queijo. Mas faça isso antes de preparar a massa e guarde as raspas na geladeira (para evitar que elas derretam em contato com o brigadeiro).

Nas próximas postagens eu relembro o Bauru e o filé à Oswaldo Aranha.