Tudo bem, a Páscoa já passou, mas nem por isso você, eu e quem mais curte chocolate vamos esperar a volta do coelhinho, no ano que vem, para degustar essa delícia, não é mesmo? A não ser por um detalhe: notícias de que chocolate, seja no formato de ovo, barra, bombom ou o que for, pode conter resíduos de baratas e outros insetos vem viralizando na Web.

Se você ficou espantado com essa informação, mas acha que isso dificilmente aconteceria com produtos de fabricantes renomados, saiba que a ANVISA tolera esse tipo de impureza nos chocolates (até determinados limites, naturalmente). Afinal, nada é 100% puro neste mundo, a não ser a consciência do Lula, a honestidade da Dilma e a integridade do Temer (desculpem, não resisti).

Deixando essa corja de lado e voltando à vaca fria ― afinal, chocolate leva leite ―, a PROTESTE.ORG esquadrinhou a legislação que trata do assunto e constatou que, para a FDA (órgão americano que faz o controle de alimentos e remédios), até 60 fragmentos de insetos ― não apenas baratas ― por 100 gramas de chocolate são “admissíveis”. Já para a "nossa" ANVISA, a proporção tolerada é de 10 fragmentos de insetos por 100 gramas de chocolate (é curioso que, no Brasil, não faltam leis mais rígidas que as de países do primeiro mundo; o problema é que falta fiscalização, e quando existe, surge a figura do suborno, da propina, e por aí afora).

O fato é que não é possível fazer este tipo de controle durante a produção do chocolate. Por mais que as empresas consigam eliminar facilmente insetos inteiros ou pedaços grandes, não há como fazê-lo com fragmentos microscópicos, de modo que a solução é a prevenção, ou seja, garantir boas práticas de fabricação, higiene e segurança para evitar a contaminação. 

Em última análise, é impossível encontrar alimentos “100% estéreis”. Quando comemos queijo, biscoito, macarrão e tantas outras delícias, engolimos, sem perceber, fragmentos de insetos, por melhores que sejam as condições de higiene observadas em sua produção. No entanto, ainda que alguns insetos transmitam doenças, seus minúsculos fragmentos são processados termicamente junto com o alimento (e outras impurezas), reduzindo a carga microbiana a um nível seguro para o consumo. O que é inadmissível é a contaminação por insetos após esse processamento.

Em última análise, todos nós ingerimos partes de insetos ao respirar, de maneira que abrir mão das delícias do chocolate por conta de uma quantidade mínima de asa de barata ou de cocô de mosquito me parece exagero.