Não é por ser sexta-feira 13, não, que a ideia não é fazer despacho na encruza, mas curtir um happy-hour degustando bons vinhos, queijos honestos e charutos de boa procedência.

Vinho vai bem com tudo, de carnes a peixes, de queijos a doces.

Italianos da velha escola consideram o vinho como alimento. Entre nós, essa cultura não se disseminou, mas o fato é que o “néctar dos deuses” vem sendo cada vez mais consumido em terra brasilis, e vinícolas como SALTON, MIOLO, AURORA e MARSON ― apenas para ficar nas mais notórias ― oferecem produtos cuja qualidade rivaliza com a de muitas marcas importadas (que os neófitos tendem a preferir por mera questão de “status”).

É certo que alguns vinhos nacionais não se prestam nem mesmo para temperar alimentos ― caso daqueles vendidos a granel em botecos de periferia ou oferecidos como “vinho da casa” em pizzarias de quinta classe ―, mas as uvas viníferas cultivadas em Bento Gonçalves, Campanha, São Joaquim e Lagoa Grande produzem vinhos de excelente qualidade, capazes de rivalizar com importados de preços muito superiores, sejam eles de mesa, leves, finos, nobres, espumantes, frisantes, gaseificados, licorosos ou compostos.

Também é certo que algumas marcas podem custar milhares de dólares a garrafa, mas não é preciso vender o carro para impressionar a namorada: por cerca de R$50, você leva para um vinho bastante aceitável (no restaurante, porém, a história é outra). A dica é procurar lojas que ofereçam grande variedade e alta rotatividade, bem como dar preferência a vinhos novos (consulte o rótulo para saber a safra), sobretudo no caso dos brancos. Convém ainda atentar para a rolha, que deve estar em boas condições, e para a coloração do líquido ― a oxidação leva os brancos a puxar para o dourado e os tintos, para o acastanhado. Se for aproveitar uma promoção, armazene as garrafas deitadas ― para evitar o ressecamento da rolha ― e sempre em locais arejados e abrigados da luz e de odores fortes.

Na hora de consumir, certifique-se de que o vinho esteja na temperatura recomendada no rótulo (que varia de 6°C para os brancos jovens a 20°C para tintos encorpados). Melhor do que colocar a garrafa na geladeira é mergulhá-la num recipiente apropriado, com água e gelo ― jamais coloque-a deitada no freezer, pois você terá problemas quando for tirar a rolha.

Ao abrir a garrafa, cuide para que o saca-rolha atravesse totalmente a rolha (ou ela irá esfarelar). Sirva o vinho em taças lisas de cristal fino e transparente, reservando os modelos “flute” (com cabo alto e bojo comprido e estreito) para os espumantes ― champanhe, mesmo, só os espumantes produzidos na região homônima da França. Não abra mais garrafas do que as que você for consumir; guardar as sobras para tomar no dia seguinte não costuma ser uma boa ideia, pois o vinho oxida rapidamente em contato com o ar.

Esqueça aquela conversa de que vinhos tintos acompanham carnes vermelhas e os brancos, peixes ou aves. Os espumantes, que são leves e transmitem frescor, podem servir tanto como aperitivo quanto com o prato principal e a sobremesa. Mas um Sauvignon Blanc vai muito bem com peixe e carnes brancas, e um Tempranillo jovem, com carnes vermelhas (os espanhóis e portugueses são muito bons). Um bom Chianti (italiano) também vai com qualquer coisa, diferentemente dos tintos excessivamente pesados e amadeirados (especialmente os da Austrália, Estados Unidos e África do Sul). Sobremesas e frutas frescas podem vinhos doces, como os Moscatos leves, ou Porto do tipo Tawny. Para mais informações, indicações, avaliações, preços, produtos mais vendidos e outras que tais, o link http://www.worldwine.com.br/ é uma excelente opção.

Mudando de pato para ganso ― ou de vinho para charuto, melhor dizendo ―, há tempos que os fumantes foram proscritos dos restaurantes, não importa se curtem um cigarrinho ou se tiram baforadas de um excelente Cohiba Behike de US$ 500. Então, ou você opta por um botequim com mesinhas na calçada (ou que ofereça áreas específicas para fumantes, o que é cada vez mais raro), ou faz seu fumacê em casa mesmo ― preferencialmente em boa companhia.

Observação: Se você acha que fumar charuto é um hábito restrito ao universo masculino, Jodie Foster, Demi Moore, Sharon Stone, Linda Evangelista, Nicole Kidman, Fafá de Belém e tantas outras mulheres de bom gosto comprovam que sua teoria é arcaica é tão inverossímil quanto a autodeclarada honestidade de Lula. Aliás, uma mulher com um charuto na boca é uma visão extremamente sensual (ressalve-se que não estou me referindo às mães-de-santo de terreiro de umbanda, com todo o respeito, mas isso já é outra conversa).

Não existem regras pétreas para degustar um bom charuto. Em síntese, você deve fumá-lo devagar, de preferência em boa companhia. Charutos grossos costumam oferecer sabores mais suaves, e os de capa (folha) escura tendem a ser mais doces. Os baianos claros são uma excelente opção, assim como os dominicanos suaves (Davidoff, Macanudo, e Don Diego), mas os mais renomados são os cubanos (Cohiba, Partagás, Montecristo,Trinidad e Romeo y Julieta, por exemplo). O problema é o preço.

Falando em preço, fuja de charutos baratos, como os que são vendidos em padarias e casas de artigos religiosos. Adquira o produto em tabacarias idôneas, que geralmente oferecem artigos de qualidade e os armazenam em condições ideais (bons charutos custam caro e devem ser mantidos entre 16ºC a 18ºC, com umidade entre 65% a 70%; ambientes secos demais os deixam quebradiços, mas a umidade excessiva os leva a apagar constantemente, prejudicando a degustação).  

Ao escolher um charuto, assegure-se de que a capa não apresenta manchas ou furinhos (causados por carunchos). Aperte-o gentilmente, por toda a extensão, para conferir se a textura é homogênea. Na dúvida, repita a operação com ele próximo ao ouvido; se escutar aquele inconfundível barulhinho de folhas secas (capa ressecada), não compre.

Se você não é do ramo, adquira poucas unidades de cada vez, até porque armazenar charutos da maneira adequada requer umidores e outras papagaiadas que custam caro, e o investimento nem sempre se justifica no caso de fumantes ocasionais. Claro que sempre se pode improvisar com potes herméticos e esponjas molhadas, mas até aí morreu o Neves.

Corte o charuto cerca de 3 mm rente à ponta arredondada (cabeça) com um cortador apropriado ou, na falta dele, com uma tesoura ou um estilete ― tomando cuidado para não estragar a capa. Vale também arranque o bico com os dentes ― ou pedir à acompanhante da vez que o faça, pois essa é outra cena estimulante ―, mas tenha em mente que isso pode resultar em pedaços de fumo soltando na boca durante a degustação. Alguns “connoisseurs” consideram heresia furar o charuto com palito de fósforo, lápis ou caneta, mas muitos fumantes o fazem para obter um orifício circular; como diz um velho ditado português, “cada um tece como lhe apetece”.

Acenda o charuto com fósforos de madeira ou isqueiros a gás do tipo maçarico, que são ideais também para quem aprecia uma cachimbada. Aproxime a ponta do charuto da chama, sem encostar, gire-o até que o pé (extremidade oposta à cabeça, como é chamada a ponta cônica que vai à boca) aqueça de maneira uniforme e só então dê puxadas suaves. Ao final, assopre a brasa ― se reparar que há pontos apagados, repita o processo.  Note que não é necessário tirar a anilha, mas, se você preferir fazê-lo, espere até o calor soltar a cola e propiciar a remoção sem o risco de danos à capa do charuto.

Diferentemente do cigarro, o charuto deve ser segurado com o polegar e o indicador. Não trague a fumaça; mantenha-a na boca e procure saboreá-la, buscando identificar as diversas sensações que ela proporciona. Dê puxadas regulares ― uma a cada minuto, por exemplo; mais que isso pode alterar o sabor, e menos, fazer com que charuto apague (caso isso aconteça, remova o excesso de cinza e torne a acendê-lo, mas evite guardá-lo “meio fumado”, pois ele fica amargo, sobretudo se for deixado para o dia seguinte). Não bata o charuto para derrubar a cinza; deixar a cinza cair sozinha ou espere até que ela atinja uns dois ou três centímetros e então gire gentilmente a ponta do charuto no cinzeiro. Tampouco molhe a cabeça do charuto em Conhaque, Rum, Licor, Whisky, Vinho do Porto, etc. ― combinado com a saliva, o líquido leva a ponta a se fechar, prejudicando o fluxo e deixando o charuto mais forte.

O momento certo de apagar o charuto é quando você se sentir saciado, mas fumá-lo após o final do segundo terço não é uma experiência das mais gratificantes, já que o sabor se altera devido aos resíduos da queima e da umidade que se acumula próximo à cabeça. Claro que, devido ao preço, há quem os fume até a brasa queimar os dedos. De qualquer forma, deixe-o apagar sozinho no descanso do cinzeiro, evitando o odor desagradável que emana quando ele é esmagado.

Mesmo em casa, é deselegante fumar durante as refeições, pois o sabor e o odor do charuto podem comprometer o sabor da comida (e vice-versa). O ideal é apreciá-lo depois da sobremesa, com um cálice de vinho do Porto ou de um bom licor. Mas não há problema algum em degustá-los a qualquer momento, acompanhados, de preferência, da bebida que mais lhe agradar e de um tira-gosto, como torradinhas de alho com requeijão e gorgonzola. Para prepará-las, você vai precisar de:

– 3 pães amanhecidos (meio durinhos);
– 3 colheres (sopa) de manteiga;
– 3 colheres (sopa) de alho amassado (pode ser aquela pastinha de alho amassado sem sal);
– 1 pitada de sal;
– 1 colher de chá de mostarda (opcional);
– 1 colher (café) de orégano;
– 1 fio de azeite.

Deixe o forno aquecendo em temperatura média enquanto corta os pães em rodelas finas e mistura o alho amassado, a manteiga, o azeite, o sal, e o orégano. Ao final, besunte as rodelinhas de pão com essa massa, coloque-as numa assadeira, leve ao forno e deixe lá por cerca de 10 minutos. Nesse entretempo, esmague 100 g de queijo gorgonzola na mesma quantidade de requeijão cremoso e misture até obter um patê homogêneo, que você deverá passar nas torradas prontas, no momento em que as for degustar.