Falou em linguiça, pensou em churrasco, não é mesmo? Mas as linguiças também ficam gostosas fritas, especialmente em rodelas e devidamente aceboladas ― nem é preciso acrescentar óleo, porque a própria gordura do embutido já basta. Cozidas na pressão, então, melhor ainda. Ou mesmo numa espiriteira a álcool. Mas que tal variar um pouco e preparar uma deliciosa porção de linguiças ao vinho branco? A receita é simples e, além da linguiça, leva apenas cebola, azeite e, claro, o vinho. E mais: dispensa churrasqueira e fica excelente como tira-gosto ou acompanhada de arroz, batatas fritas, enfim...

Antes, porém, um pouco de “cultura geral”: Tanto a linguiça quanto a salsicha são tipos de embutidos. Em alguns países, esses nomes designam basicamente a mesma coisa, mas, no Brasil, salsichas são um produto cozido e processado, com porcentagem fixa de carne suína e bovina em sua composição, enquanto as linguiças podem ser frescas, defumadas ou curadas, dependendo do tipo e dos ingredientes.

Existem variações com diversos tipos de carne, e até mesmo versões vegetarianas capazes de enganar carnívoros desavisados. Aqui em Sampa, as linguiças de Bragança Paulista (cidade do interior do Estado de São Paulo) são muito apreciadas, mas as industrializadas também quebram o galho ― desde que você não tenha nada contra papelão (brincadeirinha).

Enfim, a Linguiça-paio, por exemplo, só pode ser vendida com esse nome se for composta com carne suína e bovina curada e defumada. A linguiça toscana precisa ser feita com carne suína acrescida de gordura e eventuais temperos. Carne bovina é matéria-prima de diversos embutidos, assim como vitela, carneiro e frango ― e os vegetarianos não precisam se limitar à soja: misturas com grãos e ervas também fazem sucesso nos menus. O importante, mesmo, são os temperos, que podem incluir queijos, ervas, nozes, azeitonas, etc.

A linguiça toscana é a mais popular nos churrasquinhos de domingo. Ela é preparada somente com carne de porco, gordura e temperos. Sua cor natural vai do rosado ao avermelhado, e, no mercado, você encontra variações com e sem pimenta. Já a linguiça mista é produzida a partir de uma mistura de carnes de porco e boi, e tem pontos avermelhados e brancos evidentes. As mais finas assam mais rápido e tem sabor mais acentuado. A linguiça calabresa, por sua vez, difere dos outros tipos por conta da adição da pimenta calabresa à carne suína curada, o que incorpora um sabor mais marcante. Além disso, ela inclui cheiro verde e leva o nome da região onde foi criada ― Calábria, na Itália. Já a linguiça portuguesa é feita só a partir da carne de porco curada, temperada e defumada.

Uma opção mais “light” é a de frango, que costuma ser mais macia e apresentar uma tonalidade mais clara. Como ela é mais “líquida”, você deve furá-la com um garfo para que ela não estoure durante a fritura, devido ao aumento da pressão interna.

Tradicionalmente, o churrasco pode ser abrilhantado por linguiças de frango, toscana e mista. Já a feijoada ― e outros ensopados que pedem um sabor mais marcante ― se beneficiam do paio e da linguiça portuguesa. Como cobertura de pizzas, a calabresa é mais indicada, já que consegue reter seu sabor marcante até mesmo em fatias bem finas ― o que a torna ideal para servir como petisco. No churrasco, é importante usar linguiças cruas, já que as curadas ou defumadas são mais secas e tendem a ressecar ainda mais no calor da churrasqueira.

Na grelha, assadas, como parte de molhos ou cozidas, as linguiças vão bem de qualquer jeito, mas é preciso alguns cuidados no preparo. Linguiças frescas, por exemplo, precisam ser cozidas em fogo baixo ― o calor excessivo pode fazer com que elas estourem (daí muita gente furá-las com um garfo antes de colocar na frigideira). E o mesmo vale para a churrasqueira, onde elas devem ser assadas no calor do braseiro, ou seja, longe das chamas.

Voltando agora à nossa receita, você vai precisar de:

― 6 linguiças;

― 1 cebola grande;

― 500 ml de vinho branco seco;

― Azeite de oliva a gosto.

Descasque e pique metade da cebola e refogue no azeite (sem deixar dourar). Acrescente as linguiças, despeje o vinho branco na panela e deixe ferver em fogo médio por uns 15 ou 20 minutos (até ele evaporar e reduzir o molho). Retire e transfira para um prato ou travessa. Corte a outra metade da cebola em rodelas, frite no caldo que sobrou no fundo da panela (até o ponto preferido), espalhe por cima das linguiças e sirva. Se quiser, polvilhe orégano e pimenta do reino ― caso você não tenha escolhido uma linguiça já devidamente apimentada (eu gosto muito de uma chamada “dinamite”). O resultado também é excelente para você comer no comer com pão, seja na forma de sanduíche, seja em rodelas (como tira-gosto), cada qual sobre uma fatia pequena de pão ― ou uma torrada, por que não?